Lições vividas e aprendidas – um pouco sobre minha (breve) experiência com a docência

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    13 | Feb | 15

    Tem algumas coisas na vida que a gente só sossega quando consegue realizar. Foi assim que, há mais ou menos um ano e meio, resolvi sair da Being para voltar ao mundo acadêmico, tanto como aluna quanto como professora. O resultado dessa experiência eu conto no post de hoje. :)

    Antes de tudo, acho importante dizer que sempre gostei de estudar e, até hoje, acho que é uma das coisas que faço de melhor. Fatores do dia a dia, como as atividades de casa, o trânsito e o ambiente de trabalho (mesmo os tranquilos, como é o caso da Being), acabam exigindo muito da nossa mente, então chegar em casa e sentar pra estudar é uma coisa quase impossível. Resultado: fui deixando os estudos de lado pouco a pouco. Em paralelo, com uma mãe professora dentro de casa, também foi crescendo a vontade de saber como seria a docência, algo que sempre ficou lá no fundo da minha gaveta de ideias como uma atividade que valeria a pena colocar em prática.

    Em março de 2013, apareceu uma vaga para professor substituto do curso de publicidade na UFC e resolvi arriscar. Fiz o concurso e comecei a dar aula em junho do mesmo ano. De cara, a sensação mais estranha era ser colega de trabalho de vários professores de quem eu já tinha sido aluna. Foi uma oportunidade de ver as coisas sob uma nova perspectiva, a de troca de conhecimento (que pode parecer papo furado de professor, mas que é super verdadeiro). Tenho certeza que, nesse um ano e meio dando aula, aprendi muito mais do que ensinei.

    Primeiro, aprendi a conviver com uma nova geração de pessoas, que está entrando no mercado de trabalho agora. Esses estudantes já chegam à universidade com muito mais conhecimento e noção da profissão de publicidade do que eu e meus colegas tínhamos na época. Mesmo assim, ainda há muita informação pra ser aprendida, e é pra isso que os professores estão lá. Não só pra ensinar a prática, mas ensinar também a pensar diferente, a ter novas reflexões, a enxergar o que nem todo mundo vê. Isso foi um tremendo desafio pra mim.

    Em segundo lugar, constatei que tenho bem menos paciência do que achava, e foi algo que procurei trabalhar durante todo esse tempo. As tarefas do dia a dia no trabalho acabam virando coisas automáticas, que a gente nem percebe que faz, mas para os alunos é novidade. É preciso ter uma boa didática e ter paciência para explicar tudo direitinho, pra que aquele conteúdo seja realmente aprendido pelo aluno e pra que ele possa ter uma base de conhecimentos bem sólida.

    Também senti na pele que preparar aula é muito mais difícil do que se pensa. Além de reunir o conteúdo, tem que buscar exemplo, mostrar como eles funcionam na prática e pensar nas dúvidas que podem surgir (e em como respondê-las). Além disso, como avaliar o aluno pra ter certeza que ele captou o conteúdo principal da disciplina? Prova, trabalho, exercício? São decisões delicadas e que exigem muita reflexão para serem tomadas.

    No final de 2013, passei na seleção para o Mestrado em Comunicação da UFC e acrescentei essa rotina extra de estudos à habitual. Então fui aluna e professora ao mesmo tempo, combinação que exige bastante, mas que é extremamente compensadora.

    Resumindo tudo, o que eu aprendi mais com a docência foi que é preciso ter dedicação, gostar de pessoas, estar aberto a novas opiniões, ser criativo e topar novos desafios. Porque a verdade é essa: ser professora foi o maior desafio que tive em minha (curta) carreira profissional. Além disso, estar na docência me fez uma aluna melhor.

    Com a chegada do final dessa experiência, mesmo período em que completei 10 anos do meu ingresso no curso de publicidade, encerrei minhas disciplinas já com saudade, mas com a sensação de ter feito o melhor que pude pelos alunos e na esperança de que eles tenham aprendido tanto comigo quanto aprendi com eles. E, já que não fiz nenhuma proclamação coletiva com o encerramento das aulas, quero dizer a todos com quem convivi nestas salas de aula que agradeço muito pelas conversas, pelas risadas, pelos estudos e por terem me feito uma pessoa melhor. Agora chega de conversa, vamo voltar pra aula!

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